Arrombamento de carros aumenta 60% em Belo Horizonte

A Polícia Civil do Estado de Minas Gerais está intensificando os trabalhos para combater o comércio de peças roubadas de carros e motos em Belo Horizonte e Região Metropolitana. No entanto, o número de ocorrências de furto qualificado consumado, com arrombamento de veículos automotores, registrou crescimento. De acordo com a Secretaria Estadual de Defesa Social (Seds), de janeiro a setembro deste ano foram contabilizadas 163 ocorrências contra 102 no mesmo período de 2009, um aumento de quase 60%. Segundo o coordenador de operações especiais do Detran, delegado Ramon Sandoli, a solução para acabar com o problema seria a proibição do comércio de peças usadas. “Nos Estados Unidos, por exemplo, as peças descartadas são recicladas por meio do processo de remanufatura”, explica.

Na Avenida Pedro II, por exemplo, local onde se concentra grande número de ferros-velhos e oficinas, a reportagem percorreu dez lojas que trabalham com peças e acessórios seminovos de carros e motos, em busca de indícios de comercialização de peças roubadas ou de possíveis irregularidades. Em sete estabelecimentos, os atendentes revelaram que não emitem nota fiscal e que os produtos comercializados não eram exatamente adquiridos em leilões.

“Toda hora chega uma pessoa oferecendo um retrovisor ou uma calota, dizendo que é do carro que se envolveu em uma batida”, explica o gerente de um ferro-velho.


Em uma oficina, que trabalha com lanternagem, o vendedor, que também é mecânico, confessou que já comprou peças com valores bem abaixo da média praticada no mercado, sem nota fiscal e procedência. Atitude que, segundo ele, não significa que o acessório tenha sido roubado. “Como diz o ditado, quem vê cara, não vê coração. A gente não pode julgar as pessoas pela aparência e, no mais, tem que faturar, pois sem dinheiro o negócio fecha”, relata o profissional que, apesar das explicações, admite ter adquirido peças de pessoas “suspeitas”.

Para o delegado, um dos fatores que justifica o avanço do mercado ilícito de peças usadas é o constante aumento da frota de veículos no Estado que, segundo ele, cresce cerca de 10% ao ano. “Os carros denominados populares são, hoje, de fácil aquisição. O reflexo se traduz no saturado e caótico trânsito da capital, sem falar na dificuldade de encontrar vagas e estacionamentos”, assinala a autoridade policial, acrescentando que, diante desse cenário, o número de acidentes entre veículos também aumenta gradativamente. E, como efeito cascata, a reposição de peças se faz necessária. A população procura alternativas para reduzir o prejuízo e acaba por fomentar o denominado mercado negro. De acordo com a BHTrans, entre motos e automóveis, a frota capital registrou, em janeiro do ano passado, 1.113.905 veículos. Em outubro deste ano, o número saltou para 1.302.770 veículos.

Ainda segundo Sandoli, equipes formadas por agentes da Delegacia Especializada em Investigações de Furtos e Roubos de Veículos, orientadas e treinadas, fiscalizam, diuturnamente, os ferros-velhos e desmanches de veículos espalhados pela cidade. Há também um trabalho de conscientização, com a distribuição de cartilhas explicativas, que adverte para os perigos de adquirir peças usadas de origem duvidosa. “É importante exigir nota fiscal. Há casos em que as pessoas compram peças que foram retiradas de um veículo sinistrado, envolvido em acidente grave. O equipamento comprado, um freio de disco, por exemplo, pode ter causado a falha e o acidente”, orienta o delegado.


Leilões são forma lícita de comprar autopeças


O delegado Ramon Sandoli explica que são os leilões de veículos apreendidos por supostas irregularidades, realizados pelo Detran, que contribuem para conter o comércio ilegal de peças usadas. Desta maneira, o mercado é abastecido com peças usadas lícitas. O objetivo é reduzir os crimes cometidos para esse objetivo.


“Se um carro apreendido por infração administrativa de trânsito ou recuperado de furto e roubo não é reclamado pelo proprietário em 90 dias, a legislação estadual autoriza o leilão do veículo”, esclarece. Conforme o delegado, no ano passado 4.115 veículos foram leiloados na capital, ante 2.493 até a semana passada. A maioria na condição de sucata. O dinheiro arrecadado com os leilões é usado para quitar débitos do Estado com as empresas credenciadas para guardar os automóveis apreendidos.


O administrador de empresas Uriel Duarte Barony, 44 anos, é proprietário de uma loja que comercializa peças seminovas, como motores, caixas, latarias, faróis e lanternas. O estabelecimento, localizado na Avenida Pedro II, no Bairro Jardim Montanhês, Região Noroeste da capital, tem um diferencial: trabalha apenas com peças e acessórios adquiridos por meio de leilões.

“Isso prova que é possível trabalhar nesse segmento honestamente”, destaca o comerciante, que trabalha há oito anos com peças usadas. A loja possui sistema informatizado e rigoroso controle de estoque. As peças usadas são compradas e vendidas somente com nota fiscal. Todo o material comercializado é submetido a uma criteriosa inspeção. Antes de serem colocadas à venda, as peças que estão em bom estado de conservação são verificadas e testadas. Na sequência são limpas, embaladas e etiquetadas com referências como número de nota fiscal de aquisição e chassi do veículo sucateado.


“Primamos pela excelência do negócio. Por isso trabalhamos com peças que têm garantia e procedência, o que nos garante credibilidade no concorrido mercado”, ressalta. Já as peças descartadas são enviadas para reciclagem.


Histórico de prisões

No último mês de setembro, a Polícia Civil apresentou três homens presos e dois adolescentes apreendidos suspeitos de venderem carros roubados e participarem de um esquema de desmanche de veículos no Bairro Jardim Alterosa, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.De acordo com a polícia, um dos suspeitos seria o chefe do grupo e dono da oficina, que também é ferro-velho, onde o crime acontecia. Ainda segundo a polícia, o local era utilizado para adulteração de chassis de carros roubados.

Em agosto, três integrantes de uma quadrilha que praticava roubos de carros, na Região Norte da capital, foram presos no Bairro Copacabana. Os suspeitos foram detidos no momento em que tentavam vender peças de um carro que teria sido roubado. Já no mês de maio, um homem foi preso suspeito de desmanchar carros roubados em um sítio localizado no Bairro Bom Destino, em Santa Luzia (RMBH). No local foram encontraram quatro veículos em processo de desmanche.



Escrito por Fernando Zuba às 09h23
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“Preto é cor, negro é raça”

Situação, no mínimo, constrangedora, e, diga-se de passagem, inaceitável. Enquanto o futebol, em nível mundial, emplaca a campanha “Say no to racism”, Diga não ao racismo, em plena África do Sul, no Brasil, o crime de racismo é praticado diante de milhões de pessoas que acompanhavam à partida entre Cruzeiro e Grêmio. O racismo é tema de relevância universal. E a África do Sul sabe bem disso, e como sabe, Apartheid.

 

“Apartheid foi uma política de segregação racial desenvolvida na África do Sul, elaborada pela descendência direta dos pioneiros que colonizaram o continente africano, sobretudo europeus, dos quais se destacam os holandeses, franceses e alemães, denominados de africânderes.

 

O processo de segregação racial na África do Sul teve início ainda no século XVII. Os colonizadores europeus tinham uma concepção de que iriam criar uma sociedade perfeita, e, além disso, acreditavam que eram escolhidos por Deus. Desta forma, passaram a colocar em prática a separação entre brancos e negros, separação esta que durou até a década de 90.”

 

Enquanto a Seleção dos Bafana Bafana, e logicamente, o povo sul-africano, anfitriões dignos de elogios, recebem os principais jogadores do mundo com exacerbado carinho   e extremo respeito, em particular os brasileiros – relação fãs/ídolos, em Belo Horizonte, um argentino profere palavras de baixo calão contra um atleta, negro e brasileiro. Ora, a colonização da América do Sul é diversificada, plural, uma mistura de raças. São índios, negros, amarelos, brancos, enfim, somos todos negros, e com muito orgulho! Somos humanos!

 

Vale lembrar que, no Brasil, racismo é crime inafiançável e imprescritível, ou seja, é conduta de natureza grave, que não permite ao agressor livrar-se da prisão (em flagrante) mediante pagamento de fiança e nem o Estado perde o direito de punir ou de aplicar a punição, com o decorrer do tempo. O fato de ser considerado crime e sendo um dos poucos de natureza inafiançável e imprescritível revela que a prática do racismo está caracterizada na sociedade brasileira e é considerada repugnante.

 

Mas no País em que só vai para a cadeia ladrão de galinha, onde tudo acaba em pizza, esperar o quê da lei? No início da década de 1980, o saudoso e talentoso jornalista Wagner Seixas abordava o tema, em matéria veiculada no extinto Semanário - Jornal da Semana. O título: “Preto é cor, negro é raça”. Transcrevo a matéria, na íntegra, no próximo post.



Escrito por Fernando Zuba às 16h04
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Orçamento folgado e falta de transparência

Acreditem ou não, o próprio presidente do País, que sempre respondia, “não sei de nada”, em referência aos diversos escândalos na República, revelou um de seus desejos: fechar o Congresso Nacional. Em conversa com o empresário Eugênio Staub, Lula afirmou, “Staub, não acorde o demônio que tem em mim, porque a vontade que dá é de fechar esse Congresso e fazer o que é preciso”. A frase foi publicada na coluna de Elio Gaspari “Folha de S. Paulo” e “O Globo”.

 

À época, 2006, segundo informações, Lula teria afirmado que o próximo Congresso seria pior do que "esse que está aí", pois teria, entre outros, Paulo Maluf e Clodovil. Após o estrondoso impacto causado pela frase, o presidente negou que houvesse proferido à contundente citação. Polêmicas à parte, mas inerentes ao meio político, incrível como é impossível desassociar o tema política de termos como corrupção, escândalos, principalmente no Brasil. Recentemente, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), propôs um plebiscito para saber se a população aprova ou não o fechamento do Congresso Nacional.

 

Para o veterano jornalista Ricardo Kotscho, atualmente trabalhando como repórter do iG e da revista Brasileiros, que já atuou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV), nas funções de repórter, editor, chefe de reportagem e diretor de redação, e também no governo, “o que o senador está propondo é uma sandice, que representaria na prática voltarmos à ditadura”. 

 

Ainda segundo Kotscho, “o simples fato de levantar esta questão do plebiscito sobre o fechamento do Congresso Nacional é um desserviço à democracia. Precisamos, sim, lutar para limpar, aperfeiçoar e democratizar cada vez mais as nossas instituições, jamais fechá-las. Quando isto aconteceu, e nem faz tanto tempo, não deu certo, e até hoje o país sofre as sequelas das mais de duas décadas da falta de liberdade”.   

 

Enfim, esta semana promete, será decisiva para o Congresso. O presidente do Senado, José Sarney, deve tomar medidas para tentar conter a crise na Casa. Enquanto isso, a população continua atordoada, e não poderia ser diferente. Com orçamento folgado e a falta de transparência, fatos desmoralizantes, denúncias, atos secretos, mordomos particulares com salários pra lá de extraordinários – e não que o ofício desmereça tamanha remuneração, mas que não sejam pagos com o dinheiro do pobre contribuinte – são arremessados para todos os lados. É possível entender o porquê de a nação brasileira estar dividida, confusa e descrente.



Escrito por Fernando Zuba às 15h08
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Carta resposta - Superior Tribunal Federal

Prezado Senhor Fernando,

 

Em atenção à sua mensagem enviada à Central do Cidadão/STF e com base nas manifestações que temos recebido  a respeito do RE 511.961, que questiona a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, permitimo-nos transmitir a Vossa Senhoria alguns esclarecimentos.

 

Em 2002, o Ministério Público Federal - MPF ajuizou Ação Civil Pública, perante a 16ª Vara Cível de São Paulo, para extinguir a exigência de registro ou de inscrição no Ministério do Trabalho para o exercício da profissão de jornalista. O pedido foi julgado parcialmente procedente, determinando que a União, em todo o país, não mais exigisse o diploma de jornalismo para o respectivo registro no Ministério do Trabalho. Essa decisão foi reformada pela 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que acolheu recurso de apelação apresentado pela União, pela Federação Nacional dos Jornalistas - FENAJ e pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo. O MPF, então, interpôs Recurso Extraordinário - RE ao Supremo Tribunal Federal - STF, no qual alega violação a preceitos constitucionais, visto que o Decreto-Lei 972/69, que estabelece os requisitos para o exercício da profissão de jornalista, não foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988.

 

No mesmo período, o MPF também ajuizou, perante o STF, a Ação Cautelar Preparatória nº 1.406, a fim de garantir efetividade ao RE interposto e evitar a ocorrência de prejuízos àqueles indivíduos que exerciam a atividade jornalística, independentemente de registro no Ministério do Trabalho ou de diploma de curso superior específico. O Relator da Ação Cautelar, Sua Excelência o Senhor Ministro Gilmar Mendes, deferiu a medida, concedendo efeito suspensivo ao Recurso Extraordinário. Assim, manteve-se o exercício da atividade jornalística independentemente de registro no Ministério do Trabalho ou de diploma de curso superior na área, até julgamento final da ação principal pelo STF. O Ministro Relator considerou suficientes as ponderações do Procurador-Geral da República no sentido de que "um número elevado de pessoas, que estavam a exercer (e ainda exercem) a atividade jornalística independentemente de registro no Ministério do Trabalho de curso superior, agora se acham tolhidas em seus direitos, impossibilitadas de exercer suas atividades".

 

Essa decisão foi referendada pela 2ª Turma do STF em 21.11.2006. Em 02.01.2007, os autos da ação principal, Recurso Extraordinário nº 511.961, chegaram ao STF, oportunidade em que foram encaminhados à Procuradoria-Geral da República para parecer. O Ministério Público manifestou-se favorável ao provimento dos recursos. Em 17.06.2009, o Plenário do STF julgou o mérito do RE 511.961 e, por maioria, decidiu pela inconstitucionalidade da exigência do diploma de jornalismo e registro profissional no Ministério do Trabalho como condição para o exercício da profissão de jornalista. O entendimento firmado pelo Tribunal foi o de que o Decreto-Lei 972, de 1969, não foi recepcionado pela CF/88 e que as exigências nele contidas ferem a liberdade de imprensa e contrariam o direito à livre manifestação do pensamento inscrita no artigo 13 da Convenção Americana dos Direitos Humanos, também conhecida como Pacto de San Jose da Costa Rica. A maioria, vencido Sua Excelência o Senhor Ministro Marco Aurélio, acompanhou o voto do Presidente da Corte e relator do referido RE, Sua Excelência o Senhor Ministro Gilmar Mendes, que votou pela inconstitucionalidade do DL 972/69. Para mais informações sobre o tema, sugerimos a Vossa Senhoria acessar o Portal Notícias do STF, disponível no sítio www.stf.jus.br. A Central do Cidadão agradece o seu contato, em nome de Sua Excelência o Senhor Ministro Gilmar Mendes, Presidente do Supremo Tribunal Federal.
Atenciosamente,

 

Supremo Tribunal Federal

Central do Cidadão

Edifício Sede - sala 309 - Brasília (DF) – 70175-900

( (55-61) 3217-4756

* cidadao@stf.gov.br

 



Escrito por Fernando Zuba às 11h04
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Política da pobreza ou pobreza da política?

Político tinha que ser pobre por natureza, principalmente no Brasil. Deveria ser um pré-requisito obrigatório, dentre as tantas exigências que são requeridas para que uma pessoa tenha direito a concorrer a um cargo público. O cidadão que pretende ingressar na incipiente carreira deve ter a “ficha limpa”, ou seja, o nome limpo. Não pode ter antecedentes criminais, nem desvio de conduta. Reza a lenda de que a Justiça Eleitoral deve negar o registro de candidatura de políticos com vida pregressa incompatível com os princípios da moralidade.

 

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, em entrevista, lembrou que a Constituição brasileira, ao se referir a candidatos, recolheu na origem da palavra o termo cândido, de onde se deduz que aqueles que se lançam em busca de mandatos populares devem ter a qualidade de pureza, de nobreza de ideais. O ministro lembrou que qualquer servidor público depende da análise de sua folha corrida para começar a exercer o cargo.

 

Ora, quanta balela. Selo de pureza é para produtos alimentícios. Tem que ser no popular. O indivíduo que pretende concorrer aos poderes executivo e legislativo tem que ter o nome sujo, um verdadeiro inadimplente, que vive dependurado nos serviços de proteção ao crédito. Que vende o almoço pra comprar a janta. Que usa o salário para cobrir o cheque-especial, e de quebra paga juros inimagináveis. Deve ter cartões de crédito estourados, caderneta na padaria, farmácia, frigorífico e no boteco da esquina. Plano de saúde, quando tem, é do básico, aquele que paga usufruindo ou não, e pra variar tem acréscimo nos serviços utilizados. A prole estuda em escolas públicas, sem direito à alimentação e que entra em greve invariavelmente uma vez por mês. E por aí vai...

 

Este, sim, seria um excelente político. E sem essa história de classe média, porque hoje, no Brasil, só existem duas classes sociais: ricos (extremamente) e pobres (miseravelmente). O político pobre saberia o que é passar necessidade de verdade. Saberia como é difícil enfrentar uma fila no atendimento público à saúde; como é complicado dizer ao filho que não tem dinheiro pra comprar carne; aquele brinquedo, o tênis da moda, o tratamento dentário, o curso de informática, a condução para pelo menos voltar da escola. Ele quase sempre não tem, nem ao fim do mês, mas, quem sabe, um dia. Talvez no dia em que pessoas provenientes da pobreza, dos pegue-pagues da vida, do mundo, que labutam incansavelmente pelo sustento básico da família conseguir chegar lá, essa situação possa ser melhorada. Não digo nem mudada, apenas melhorada.

 

E creio que a classe de políticos pobres se daria por satisfeita em receber um salário em torno de três mil Reais para simplesmente ajudar ao próximo. Em viajar de ônibus e se aposentar após 35 anos de bons serviços prestados. Porque aposentadoria com dois mandatos, oito anos, é uma afronta ao cidadão brasileiro. Há quem diga que o presidente Lula alcançou este patamar. Pode ser. Pergunte aos mais de 23 milhões de aposentados deste Brasil o que eles pensam. Mas aí, como diriam João de Barro e Lamartine Babo: “uma andorinha não faz verão”. E que venha o político pobre! Pensando bem, os políticos do Brasil são pobres, paupérrimos, mas de espírito!



Escrito por Fernando Zuba às 08h32
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A vida começa depois dos 40, mas o respeito acabou

Durante muito tempo, filho de um veterano jornalista que sou, e, diga-se de passagem, que não tem formação superior, passei noites inteiras discutindo com o “velho” sobre a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. O “velho”, já calejado, cansado da labuta, que foi até correspondente de guerra, afirmava impiedosamente que, o que valia mesmo era o talento, a vocação. E confesso, por um momento acreditei. E tratei de requerer o meu registro “precário”.

 

O passo seguinte foi buscar um “lugar ao sol”. Pois também acreditei igualmente que, após mais de vinte anos acompanhando um experiente profissional, nos mais diversos segmentos da comunicação, como a redação do extinto Jornal de Minas, os estúdios das Rádios Capital e Mineira, e diversas assessorias de imprensa, entre elas Fiemg e OAB-MG, além de outras tantas campanhas políticas, estava preparado para encarar qualquer desafio. Ora, tinha mais horas de viagem que muito piloto experiente e devidamente graduado, ou habilitado. Já sabia que era primordial escrever no Lead, quem, o que, quando e onde. Ouvir os dois lados. Bastava então colocar em ação, a “prática e o talento”.

 

Quanta imaturidade, inocência e despreparo. Posso dizer, sem medo, sem modéstia, que apanhei feito gente grande. Faltava muita coisa. O trabalho realizado pelo jornalista necessita muito mais do que experiência, e o legado repassado pelo veterano, minha culpa, minha máxima culpa, não foi o bastante. A profissão Jornalista exige, sim, e em grandes doses, compromisso com a sociedade, responsabilidade, ética, dignidade e respeito. E sem técnicas, conhecimentos específicos, uma base sólida, é impossível exercer a profissão.

 

Fato é que resolvi estudar, conquistar não só a graduação, o diploma, mas entender do assunto. Os direitos e deveres, e, principalmente, os reflexos do exercício da profissão. Daí vem um relator dizer que os danos a terceiros não são inerentes à profissão de jornalista e não poderiam ser evitados com um diploma. Que as notícias inverídicas são grave desvio da conduta e problemas éticos que não encontram solução na formação em curso superior do profissional. O ministro Lewandowski enfatizou o caráter de censura da regulamentação, que o diploma era um "resquício do regime de exceção", que tinha a intenção de controlar as informações veiculadas pelos meios de comunicação, afastando das redações os políticos e intelectuais contrários ao regime militar. Ele não lê jornais! E quem ele pensa que está à frente dos sindicatos?

 

No país marcado pelo analfabetismo, cerca de 20 milhões, tal atitude serve como desestímulo, causa desânimo, náusea, nojo.  Jornalistas profissionais: *1969 / +2009



Escrito por Fernando Zuba às 08h25
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Diálogo Infernal, o dia seguinte

Filha: Olá, papai, bom-dia. Sobre aquele assunto que já estamos debatendo há alguns meses, passei à noite em claro refletindo, afinal de contas já tenho 17 e preciso me decidir.

 

Pai: Sim, minha querida, já não é sem tempo. Mas diga. O que decidiu?

 

Filha: Pois é, papai, após analisar a atual situação deste enorme Brasil, nestes políticos, digamos, despreparados, na fome do Mundo, nas desigualdades sociais, na desinformação geral da população em assuntos básicos, corriqueiros e cotidianos. E quanta violência, quantas mortes, vidas que se perdem ainda na infância, abusos, preconceitos, drogas, tráfico de mulheres. Sem falar da situação da saúde e da educação.

 

Pai: É verdade meu doce. Sinto-me orgulhoso, e, ao mesmo tempo angustiado, que já tão jovem conheça e se preocupe com as mazelas deste País, que mais parece uma sucursal do inferno!

 

Filha: Exatamente, é o que penso também. E acredito piamente que esta situação pode piorar. E chegamos a este ponto, posso afirmar papai, por causa da certeza da impunidade que impera neste País. A coisa caminha para descambar de vez. Os homens que dirigem os rumos da população deveriam ser os primeiros a combater este alarmente caos, mas ao contrário, na verdade, são exemplos de indignidade, mau-caratismo, uma vergonha. As leis deveriam ser mais severas. Não falo em pena de morte, mas é hora de radicalizar, medidas enérgicas. Chega de atos secretos, de dólares na cueca, de corrupção, mensalão, nepotismo. Basta! Chega de miséria, fome, doenças. Esse inferno tem que acabar.

 

Pai: Estou perplexo, minha amada filha. Percebo que você tem posição, postura, aliás, sempre soube disso, você não foge à regra que marca nossa família. Está por dentro dos principais assuntos que atormentam esta nação. Tenho certeza que, seja qual for à profissão merecedora de sua escolha, será uma grande batalhadora. Uma graduação, um bacharelado, o diploma na parede, quanta satisfação. Saiba, filha, um cidadão consciente, assim, igual a você, que procura crescer, buscar conhecimentos, na concretização de seus ideais, na realização de um sonho, faz a diferença. Pessoas com um curso superior somente enobrecem e enriquecem a nação de um País. Quanto maior o nível de instrução da população, maior a qualidade de vida do Planeta, são reflexos. Você será preparada para contribuir para o melhoramento do Brasil, em todos os aspectos, e acredite, o aprender é contínuo, ingressar na academia é só o início. Quero vê-la graduada, pós-graduada, mestre e doutora. Mas filha, estou agora ansioso, revele a sua escolha.

 

Filha: Isso, papai. Fico feliz de saber que concordamos. Nunca pensei em ser uma mulher, e compreenda, sem querer desmerecer às que escolheram, ou não tiveram opção, enfim, uma mulher que vive na cozinha, no fogão, no tanque, que gasta seu tempo lendo revistas de moda, assistindo programas de fofoca ou escutando lorotas do tipo faça uma simpatia, e por aí vai. Como você disse, estou muito bem informada. Leio os principais jornais, assisto telejornais, escuto notícias. Sei e compreendo o que acontece. E é por isso que escolhi o que quero para o meu futuro. Quero ser jornalista profissional!

 

Pai: Minha filha, o dever me chama. Ficamos conversando e não percebi o tempo passar. O departamento de comunicação do STF acaba de enviar informações sobre a pauta do dia, tenho que acelerar. Um presidente que se esquece de suas obrigações não pode nem ser síndico de um prédio. Depois continuamos, até mais tarde! Inferno....



Escrito por Fernando Zuba às 08h24
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